02 outubro 2007

O “MEU” CINEMA – (Parte 7)


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Voltando aos cinemas como casas de espetáculo: o Cine Theatro Royal era o mais modesto e, se não me engano, o mais antigo em atividade. A pequena tela retangular originalmente branca já não era tão branca, porque ao contrário dos demais cinemas não tinha cortina para protegê-la da poeira. O Royal era, assim, a nossa última opção, porque se tívéssemos perdido a sessão anterior do São Luiz, que iniciava e terminava mais cedo, íamos correndo para lá, já que ambos exibiam o mesmo epísódio de seriado. A sessão começava no São Luiz. Terminada a primeira parte, o filme era levado para exibição no Royal. Se tivesse duas ou mais partes, o portador ficava transitando à pé entre os dois cinemas carregando nas costas as pesadísimas latas que embalavam as películas...

Às vezes íamos ao cinema ávidos por assistir a um episódio decisivo e emocionante, mas volta e meia acontecia um incidente intrigante: depois dos cine-jornais, trailers, e filmetes de 30/40 minutos, os espectadores se ajeitavam nas poltronas para melhor viver "as grandes emoções" aguardadas tão ansiosamente após tanto sacrifício... Alguns até já tinham pegado no sono, e eram acordados... Aí então acontecia a “grande surpresa”: na tela, em letras grandes, ostensivas, no lugar do seriado aparecia a seguinte legenda “POR MOTIVO DE ATRASO DO TREM NÃO SERÃO EXIBIDOS HOJE OS CAPÍTULOS (tais e tais) DO SERIADO A DEUSA DE JOBAH . A Gerência”. Não pediam desculpas pelo “transtorno causado”, e muito menos devolviam os ingressos. Era uma ducha fria no entusiasmo da platéia, uma decepção externada por meio de muito barulho e assobios que iam diminuindo de intensidade à medida que projetavam os primeiros letreiros anunciando o filme “regra três” de Budd Abbott e Lou Costello, ou então do Gordo e o Magro (Stan Laurel e Oliver Hardy)... A decepção era muita. Alguns espectadores se retiravam, outros “engoliam o desaforo” e esperavam até o final da sessão...

Certa vez exibiram nas matinês de domingo, uma série dez desenhos animados do Super-Homem. Em cada sessão uma história completa com duração de uns sete minutos. Os desenhos tinham colorido forte e claro, e foi com pesar que vimos aquela série chegar ao fim. Apesar da técnica quase primária com que eram feitos, esses desenhos tinham mais encanto do que os atuais, perfeitos, criados em computador. E terminávamos o nosso domingo, lendo tranqüilamente o Globo Juvenil e o Gibi tri-semanal. Os demais membros da família conversavam com os amigos vizinhos ou ouviam algum programa da Rádio Nacional do Rio de Janeiro... (CONTINUA)
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Imagem da internet
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6 Comments:

Blogger valter ferraz said...

Adelino, que história é essa de um post com "zero" comentário? Pode não. Por isso, estou aqui para reverter a situação.
Essa frustração que vc fala do pessoal ir assistir ao seriado e não ter chegado, já mostra que o consumidor nunca foi levado a sério, né?
Ainda bem que eles tinham o "regra três". Mas, depois de assistir ao Gordo e o Magro duas vezes, qualquer um já iria querer o dinheiro de volta, né não?
Boas histórias essas.
Grande abraço

sexta-feira, outubro 05, 2007  
Blogger Eduardo P.L. said...

Adelino, eu ia fazer um único comentário na Parte 8 mas para não dizer que esta faltando comentário vim marcar presença aqui, e o Valter já tinha se adiantado.
Então fica o registro, a oitava e última parte fechou com chave de ouro essa sua ótima postagem.

Forte abraço,

sexta-feira, outubro 05, 2007  
Blogger marilia said...

Adelino, vc já viu a refilmagem de beau geste? chama-se a pena branca... é lindo, e eu morri de chorar!
bjos

sábado, outubro 06, 2007  
Anonymous Adelino said...

Valter, Defesa do Consumidor? Veja só, a gente reclama, porém tinha coisas no passado que funcionavam mal, não é? Muitas vezes nós, menores em idade e tamanho, éramos "convidados" a ceder os melhores lugares para os marmanjos... Reclamar com quem?
E a embromação que fazia com que o espectador ficasse até o final, e nada dos episódios do dia?

Uma vez, Valter, anunciaram um filme dizendo que Flash Gordon ia lutar contra o Tarzan... O cinema encheu. Que Tarzan x Flash que nada! Era apenas um filme em que Buster Crabbe e Johnny Weissmuller trabalhavam juntos como caçadores em trajes normais. E nada de briga, eram até amigos...
Grande abraço.

sábado, outubro 06, 2007  
Anonymous Adelino said...

Eduardo, muito obrigado. A sua presença aqui só nos valoriza.
Grande abraço

sábado, outubro 06, 2007  
Anonymous Adelino said...

Marilia, não vi. O que fica mesmo em nossa memória/sentimento é mesmo o original, isto é, aquele vimos. Pode até já ter sido a segunda versão. O "meu" Beau Geste era aquele. Não gosto de refilmagens. Já imaginou um Ben Afflec interpretando Rick, em Casablanca? Outro exemplo: o "meu" James Bond foi Sean Connery, a "minha" Jane foi Maureen O´Sullivan, e pronto. Viu aquele que fez o papel do Fantasma? No fim, bom deixa pra lá...
Já imginou outro artista no lugar de Al Pacino em Perfume de Mulher? Ou Angeline Jolie no lugar daquela menina que dança com ele? Outro no lugar de Cris O´Donnel? Outro que não Robert Redford como o Great Gatsby? Ou outra no lugar de Mia Farrow no de Daisy? Deu certo, não mexe mais. Escreva outros filmes.
Tenho dito, paro senão vira testamento...
Beijos, Marilia.
PS - Uma ressalva: pra não dizer que estou sendo radical, até que vou ver esse Beau Geste.

sábado, outubro 06, 2007  

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