29 setembro 2007

O “MEU” CINEMA - (Parte 4)


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Os maiores estúdios de Hollywood não faziam seriados. A Metro Goldwin Mayer, por exemplo, apresentava somente grandes produções: filmes épicos, musicais, comédias sofisticadas. Menos poderosas do que a Metro, porém superiores à Columbia e à Republic, conhecíamos a Paramount Pictures, a United Artists, a 20th Century Fox e a Warner Brothers pelos filmes que eram programados para a nossa cidade.

Filmes brasileiros, argentinos e mexicanos geralmente – quase sempre – eram levados no Cine-Theatro Royal. Dramalhões com homens duelando, chorando e se matando por mulheres que faziam caras e bocas... Era um sacrifício ver tudo aquilo até o final. Levantar da poltrona e voltar para casa era impossível, porque muitas vezes estávamos acompanhados de parentes adultos que se interessavam por esse tipo de filme. E além disso, retirar-se do cinema durante uma sessão não era atitude de pessoas educadas, ainda mais em se tratando de crianças... Então, o negócio era aguentar até o fim... Ou então tirar um cochilo...

Íamos ao cinema (meu irmão e eu) às segundas e sextas-feiras exclusivamente por causa dos filmes em série que não perdíamos por nada neste mundo. Antes de iniciarem os tão aguardados seriados, entravam com um noticiário internacional. O melhor era o Pathé News, às sextas-feiras, jornal norte-americano cujo narrador, Gaspar Coelho, tinha uma voz inconfundível, difícil de ser imitada. Aliás, o único que conseguiu imitá-lo com perfeição foi o saudoso humorista e comediante José Vasconcellos. Às segundas-feiras era a vez do Les Actualitées Françaises, noticiário insosso narrado por um locutor com sotaque francês, falando rápido, o que tornava sua voz profundamente irritante. Além disso nada informavam sobre a II Guerra (talvez intencionalmente), mas falavam muito dos campeonatos de esqui na neve e circuitos ciclísticos. Resumindo: era um alívio geral quando este jornal terminava. Por pouco não era aplaudido...

Seguiam-se uns dois trailers de filmes a serem exibidos em data posterior não informada (BREVE NESTA SALA etc etc...), e era comum apresentarem trailers de películas que nunca foram mostradas. Explicações por parte do exibidor? Nenhuma. Presumia-se que houvera algum desencontro de datas ou problema com as distribuidoras ou representantes do Rio e de São Paulo.

Depois dos trailers vinham alguns filmetes de média duração (cerca de 30 minutos) estrelados por Hoppalong Cassidy, Charles Starrett, Roy Rogers, Wild Bill Elliot, Randolph Scott, Tim McCoy, Tom Tyler e outros. Destes, o menos agradável era o Hoppalong Cassidy, um ator já um tanto inadequado para os papéis que desempenhava: meio gordo, “idoso”, paradão, muito longe dos padrões “aceitos” para um “cowboy de verdade”... Isto acontecia às sextas-feiras, porque às segundas os espetáculos eram do gênero policial, também de média metragem, insípidos para nosso “paladar” de crianças já então um tanto críticas e exigentes... (continua)

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Imagem internet (set de filmagem externa)
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4 Comments:

Anonymous Adelino said...

ZERO comentários...
Acho que os leitores ficaram por demais emocionados com este capítulo eletrizante... O ou filme queimou. Acontecia isso também. O carvão do arco voltáico queimava o filme. Parava tudo, e acendiam as luzes.
Agora já não é ZERO...
Abraços a todos
Adelino

terça-feira, outubro 02, 2007  
Blogger Lord Broken Pottery said...

Adelino,
Bem observada a mudança no paladar das crianças. O tempo nos torna mais exigentes.
Abração

terça-feira, outubro 02, 2007  
Anonymous Adelino said...

Lord, é isso. Olhamos para o passado é vemos quanta coisa simples nós cultuamos quando crianças. E o nosso espírito crítico vai se aprimorando. Hoje, achamos quase ridículas certas cenas de filmes e seriados que víamos com muita seriedade, mas mesmo assim não conseguimos esquecê-las.
Muito obrigado pela presença.
Um grande abraço

terça-feira, outubro 02, 2007  
Blogger Eduardo P.L. said...

Adelino, eu havia lido o Cap.4 e já havia o Cap.5, daí ter comentado só lá! E agora vejo que não ZEROU como estava preocupado. E isso acontece. A vida anda muito atribulada para todo mundo. O número de blogs a (h?) visitar aumentam todos os dias. Estamos sempre atrasados ou correndo. Mas é a vida, caro Adelino.
Hoje é dia de POSTAGEM COLETIVA INTERACIONAL. Engaje-se.
A causa é nobre!

Abçs

quinta-feira, outubro 04, 2007  

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