16 fevereiro 2007

CONTO DE CARNAVAL (Verdadeiro)

(Da coleção APS - capa fevereiro/1940)
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Aconteceu no Carnaval. Minha irmã Olinda namorava firme um rapaz de São Paulo, de nome Edgar. Gostavam-se muito, paixão pura, mas tinham rompido o namoro às vésperas do início do “reinado de Momo”... Isso era muito comum, Carnaval daquela época era sinônimo de briga entre casais de namorados ou de noivos. Muitos ciúmes. Hoje em dia menos, cada pessoa vai para um lado, e tudo termina bem. É comunitário...

Ex-namorado em São Paulo, namoro desfeito, bem longe, Olinda vestiu uma linda baianinha e, embora um pouco constrangida, foi deixar a sua tristeza no baile de carnaval do clube que a família freqüentava. Lá pelas tantas, já no “clima”, quando cantava animadamente a marchinha “Oh jardineira, porque estás tão triste”, perdeu a voz quando alguém a pegou delicadamente pelo braço e a levou até o canto do salão. Era o Edgar, seu “ex-namorado”, recém-chegado de São Paulo, sem “aviso-prévio” ou qualquer vestígio de fantasia. Não tinha resistido ficar longe da Olinda. Reataram ali mesmo o namoro, e caíram na folia... Mas o Edgar pagou um bom preço pela ousadia: teve de suportar até a Quarta-Feira de Cinzas as gozações dos amigos e familiares que cantavam pra ele a letra de uma marchinha interpretada por Linda Batista, de muito sucesso naquele ano, só que trocavam o nome Rosa, da letra original, por Olinda. Ficava assim:

“Edgar chorou / Quando viu Olinda / Gingando toda prosa /Numa linda baiana / Que ele não deu / Coitado do Edgar / Chorou de dar pena / Chamou Madalena / Entregou o pandeiro / E desapareceu / Coitado do Edgar" etc. etc.

O Carnaval passou. Ficaram noivos, casaram-se e foram felizes para sempre... Nem o Rei Momo conseguiu separá-los...

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16 Comments:

Blogger O Meu Jeito de Ser said...

Adelino, o carnaval era sinônoimo de brigas e noivados desfeitos, mas era também muitos começos de namoro e as vezes acabavam em casamento.
Na verdade o carnaval prá nós era um acontecimento social dos mais gostosos, era pura diversão, algo muito saudável, em que famílias inteiras se divertiam naqueles bailes de salão, sem que mulheres usassem o corpo para atração principal. As fantasias eram muito bonitas, hojé é normal a falta delas, o exibir o corpo é que é "chic".
E, tem mais, antes até se conseguia um casamento no carnaval, hoje só se consegue "aids" e outras "cossitas"mais.
Um abraço

sábado, fevereiro 17, 2007  
Anonymous Adelino said...

Anna, toda vez que posto alguma coisa nova, e vejo que ali em "comments" já tem um ou dois, já sei que é seu ou do Valter, ou de ambos, o que muito me envaidece. Você escreve com uma suavidade incrível, própria das pessoas sensíveis, de bom gosto e de firmeza nas palavras. Muito obrigado pelo prestígio de vocês.

É mesmo, Anna, naquele caso mesmo da minha irmã, motivo do post, o "affair" acabou num belo casamento de mais de 50 anos.

No seu tempo não era assim, você é jovem, mas eu me lembro que eu me sentia orgulhoso, o "tal", muito feliz, quando uma "colombina", uma "havaiana" ou uma "indiazinha" me escolhia, no meio de outros meninos, para ser alvo de seus confetes, serpentinas, jatos de lança-perfume... Era um "aviso", um "sinal verde"... Era o mesmo simbolismo do lencinho deixado cair aos pés do "eleito", nos tempos coloniais...
Grande abraço, Anna, Feliz Carnaval. Abraços para o Valter.
Adelino

PS - Anna Pontes, uma das músicas de Carnaval (é com maiúscula mesmo?) que eu acho mais bonita é uma que diz assim, mais ou menos:
"Confete /pedacinho colorido de saudade /(...) Ao te ver na fantasia que usei / Confete, confesso que eu chorei". E tantas outras.
Adelino

sábado, fevereiro 17, 2007  
Blogger valter ferraz said...

Adelino, falando desse jeito macio aí você vai acabar levando a Aninha pro salão, já estou até vendo: você de pierrot e ela de columbina a cantar: alálá ooô ooô ooô, mas que calor ooô ooô. E por aí vai.
Grande abraço e bom carnaval!

sábado, fevereiro 17, 2007  
Anonymous aninha-pontes said...

Adelino, porque voce acha que não é do meu tempo?
Eu não sei se sou mais nova que voce, mas se for, não há de ser grande coisa, tenho 52 anos, e me lembro bem de tudo isso que voce falou.
Só essa música que voce citou que gostava, acho que não conheço.
Ah! O Valter está dizendo isso, porque ele nunca gostou de carnaval, portanto nunca me levou para um salão, mas quando as crianças eram pequenas eu ia assim mesmo, ia levá-las, e claro, aproveitava.
Hoje já passou, acabou a graça, acho até que as pernas já não aguentaria mais tudo o que aproveitava nos carnavais.
Um abraço

sábado, fevereiro 17, 2007  
Blogger valter ferraz said...

Adelino, eu de novo: eu queria te adicionar no google talk, não quer passar teu emdereço no Gmail?
Abraço

sábado, fevereiro 17, 2007  
Anonymous Adelino said...

Valter, eu também não sou muito de Carnaval moderno não. Só tem uma coisa que eu acho simplesmente maravilhosa: o trabalho que essa turma desenvolve durante o ano todo para colocar aquelas alegorias na Marquês de Sapucaí. Vistas de perto, tocadas, examinadas, são obras de arte mesmo. Chega a emocionar.
Os elogios à Anninha são sinceros mesmo, nada de elogios fáceis.
Um grande abraço.

Parece que estamos on-line...
Valter, já que estamos on-line, sabe o que fiz neste intervalo de umas duas horas? Quase desmontei o carburador da minha Parati, mas ficou uma jóia... Depois de quase um ano, rapaz, vê se pode.
Abraços

sábado, fevereiro 17, 2007  
Blogger valter ferraz said...

Adelino, Paratí? tens uma Paratí? Puxa vida! é o meu carro do coração! como tem gente apegada em fusca, sou apaixonado pela Paratí. Já tive duas. Hoje não tenho carro, mas se pudesse comprar um juro que seria uma Paratí. Veja você, mais uma afinidade entre nós, hein?
Abração
(hei isso aqui está virando sala de bate-papo, né?)

sábado, fevereiro 17, 2007  
Anonymous Adelino said...

Anna, eu escrevi um longo comentário, mas de repente sumiu tudo. Como disse o Valter, isto aqui virou uma sala de bate-papo...

Vamos repetir: sou o mais novo, quase temporão, de uma família numerosa e longeva. Feleizmente todos vivos, exceto minha mãe e meu pai. Este, por sinal, faleceu 14 dias após o meu nascimento. Se me fez falta? Eu não sei dizer. Como ter saudade de uma pessoa que não conheci? Se eu o tivesse perdido quando já tivesse consciência do que era ter um pai, talvez sentisse falta sim.
Acho que fui poupado da dor de perder um pai.

Então, já viu, tenho sobrinhos, sobrinhas, sobrinhos-netos, sobrinhas-netas. Sobrinhos com mais idade do que você e Valter. Netos não tenho. Not yet...

Pelos assuntos que abordo pode notar que tenho "experiência", vivência. Já tenho direito a caixas preferenciais em bancos, mas não gosto desse privilégio....

Um abraçao, Anna

sábado, fevereiro 17, 2007  
Anonymous Adelino said...

SALA DE BATE-PAPO (Anna, Valter e Adelino). rssss.

Valter, se eu disser o ano da minha Parati, que está enxuta, tudo funcionando, tudo original, linda linda, vidro fumê, você cairia de costas. 145 mil km rodados... Beje, metálica, sem folga na direção, marcha de câmbio firme... Só não troquei por um mais moderno por razões sentimentais. Ela tem história, Valter, tem história. Talvez um dia eu faça um post sobre ela.
Um grande abraço e obrigado por participar da SALA DE BATE-PAPO...

PS - Valter, ainda sobre a minha Parati: ela é do ano (depois te digo de que ano...) Tem até Manual, meu caro... Vistoriada, e aprovada...
PS1 - Quando jovem eu tive um jipe Land Rover (vou fazer um post sobre ele, e aí poderemos comentar tudo...).
Abs

sábado, fevereiro 17, 2007  
Blogger valter ferraz said...

Adelino, posso chutar? 89?
Tive uma 89 "dourada" à alcool. A última foi uma 94, Prata metálica, GL(completa com direção hidráulica, ar condicionado e trio elétrico) linda, linda.
Hoje se pudesse comprar um carro, sem dúvidas seria uma Paratí.
Abraço, companheiro

domingo, fevereiro 18, 2007  
Anonymous Adelino said...

Chutou um pouco mal, Valter...

Eu fui o único dono, é 83/84, quase da sua idade... Com frisos laterais intactos...
É engraçado, Valter, de vez em quando minha filha fala assim:
- Pai, vê se toma vergonha e compra um zero.
Eu digo:
- Meu carro não é velho, é antigo. Além do mais, tem história, é um membro da família. Eu ia para o trabalho com ele, buscava você e seus irmãos no colégio quando criancinhas, fazemos compras com ele. E mais tarde, vocês mesmos o usaram para ir e vir das Faculdades. Tem até os plásticos de estacionamento no parabrisa...

Como vê, meu caro Valter, motivos sentimentais não permitem que eu me desfaça do "bichinho de estimação", o "companheirão", pau pra toda obra...
Grande abraço, Valter.
Adelino

PS - Pra você ter uma idéia, colado no vidro trazeiro tem um plástico do tempo da "guerra" Argentina-Inglaterra, que diz: "MI CORAZÓN ESTA EN LAS MALVINAS". Isso foi quando? 84, acho.
PS1 - Valter, parece que somente você, Anninha e eu estamos ligados em computador. Todo mundo sumiu...
Ps 3 - qualquer hora posto uma foto dele pra você ficar com saudade do seu...

domingo, fevereiro 18, 2007  
Blogger valter ferraz said...

Certo, vou aguardar a foto.
Ah! agora me lembrei, tive uma 84 cinza mas fiquei com ela apenass uma semana e troquei por um moza vermelho, pode? Coisas da vida.
Abração
Hei, você não respodneu se quer "falar" comigo pelo google talck, é só me passar o seu endereço no gmail.

domingo, fevereiro 18, 2007  
Anonymous Adelino said...

Valter, esqueci, é verdade: adelino.ps@gmail.com

Depois me explica como funciona, se igual ao msn.
Abraços

domingo, fevereiro 18, 2007  
Anonymous Adelino said...

Mas, Valter, tem um detalhe: considerando que você e Anna sempre abrem os comentários no meu blog, se eu te contar muita coisa em off, vou ficar sem assunto... Não faz mal...
Abraços

domingo, fevereiro 18, 2007  
Anonymous Adelino said...

Valter, este post de Carnaval está movimentado... Só com este comentário já são quinze... Um record... rsssssssss.

domingo, fevereiro 18, 2007  
Blogger Deize said...

Eitcha, Adelino, que história gostosa de ler !!!!!

Beijos...

segunda-feira, fevereiro 19, 2007  

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