06 fevereiro 2007

NAS ONDAS DO RÁDIO

(Edifício "A Noite" - Rádio Nacional - 21. andar)
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Li com prazer o interessantíssimo post “Homenagem ao Malandro”, produzido pela Helô, do Banana&Etc, em 03-02-2007. No link “Rádio Nacional” (décadas de 40/50) voltei no tempo ao ver citado, entre outros, o programa “Dr. Infezulino (*)”. A explicação está num texto que escrevi há anos. Se tiver paciência e gostar do assunto, acho que vale a pena ler tudo, desde o seu começo:
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“...Outro grande sucesso da Rádio Nacional era o programa Dr. Enfezulino, assim chamado porque o seu apresentador simulava um constante mau humor , sempre “enfezado”".
Havia um quadro nesse programa no qual os ouvintes enviavam quadrinhas inéditas enaltecendo as qualidades da Gordura de Coco Carioca, muito popular na década de 50. A metragem dos versos, porém, tinha de "encaixar" rigorosamente numa melodia já existente, imutável. Seria uma espécie de “jingle” feito em parceria: o programa entrava com a música, e o ouvinte, com a letra.”

“A produção selecionava as duas melhores que disputariam num dos próximos programas os prêmios de 600 cruzeiros para a vencedora, e 400 para a outra. As musiquinhas eram interpretadas por um ator e uma atriz do “cast” da emissora, mas cabia ao público presente no sempre lotado auditório da Rádio Nacional escolher, por aplausos, qual das duas seria a melhor.”

“Eu cursava a quarta série ginasial. Enquanto o professor ministrava a sua aula de Química eu inventava às escondidas uma quadrinha para concorrer a um dos dois prêmios. Rabisca aqui, apaga ali, acabou surgindo a “ideal”, a que enviei “À Rádio Nacional, Programa, Dr. Enfezulino”...

“Passados uns vinte dias aconteceu uma surpresa emocionante: ouvi a minha quadrinha sendo cantada no programa Dr. Enfezulino... Esperei... O auditório preferiu a outra, por isso fiquei em segundo lugar, com o prêmio de 400 cruzeiros, que me foi enviado via Vale Postal, semanas depois.”
“Não sei quanto valeriam hoje 400 cruzeiros, mas naquele tempo fiz um bonito terno cor de “café com leite” (“paletó dois botões”), comprei gravata nova e ainda paguei o ingresso da “matinê das 11” para uma garota minha vizinha.”

“O importante, o que marcou mesmo, independente de ser primeiro ou segundo, foi o grande orgulho que tive de ouvir meu nome indo ao ar para todo o Brasil “através das ondas queridas da Rádio Nacional do Rio de Janeiro”, justamente numa era de ouro para a "radiofonia nacional"...
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( * ) Posso estar enganado, mas o nome divulgado na ocasião começava com “e”, e não com “i”.

14 Comments:

Blogger Deize said...

Ave, Adelino, que bom que não estive aqui na sua ausência... assim, não fiquei preocupada, como li que muitos ficaram.

Fiquei encantada com o lápis do Lacerda e diria pra você que continue sonhando. NY ou Paris, Tokyo, Londrina, Maringá ou Pindamonhangaba, não importa... o que importa é viajar, voar sempre !

Beijosss........

quinta-feira, fevereiro 08, 2007  
Anonymous Eduardo said...

Rádio Nacional dos bons tempos!Por que os tempos bons são sempre os passados?Será que teremos saudade destes?Ou só nostalgia!

quinta-feira, fevereiro 08, 2007  
Blogger valter ferraz said...

Adelino, será que esses minutos de fama serão computados naqueles cinco minutos de glória a que todos tempos direito?
Abração

quinta-feira, fevereiro 08, 2007  
Blogger O Meu Jeito de Ser said...

Adelino, o Eduardo tem razão, os tempos, assim como as músicas, que ficaram prá trás,são sempre melhores. Sim, porque hoje os caras gritam qualquer coisa, falam meia dúzia de palavras obcenas, e se dizem cantores.
Este orgulho que voce sentiu,hoje está relacionado ao que fazemos atualmente, quando temos um post, ou mesmo só nosso nome citado em um blog de um amigo.
Um abraço

quinta-feira, fevereiro 08, 2007  
Anonymous Adelino said...

DEIZE, aconteceram e estão acontecendo problemas técnicos. Eu diria, problemas por incompetência, mau serviço, e até desrespeito para com os usuários desses serviços Net e Virtua.
Nem sei mais se continuarei conseguindo postar coisas no blog. Parece que nos tornamos cobaias... De "grátis" queria o quê? Bem feito pra nós...

Falemos de coisas agradáveis (?).
Então, naquela época os políticos vendiam lápis e LP´s a fim de angariar dinheiro para suas campanhas.

Um abração e compareça sempre.
Beijos.

quinta-feira, fevereiro 08, 2007  
Anonymous Adelino said...

Não sei não, Eduardo, mas pra sentirmos saudades do que estamos assistindo hoje em dia, as coisas terão de piorar muito, mas muito mesmo.
Um abraço e obrigado

quinta-feira, fevereiro 08, 2007  
Anonymous Adelino said...

São 15 minutos, Valter, ou já diminuíram? E tem de somar sim.

Agora, atente para esta "puxada": 5 minutos da Nacional, mais 10 da amizade e prestígio de vocês e os meus 15 minutos estão cumpridos...
Um grande abraço, Valter.
Adelino

Ps - Valter, se eu te contar a minha luta com o Virtua, vc não acredita... Parece coisa pessoal, talvez por eu ser um "Net" desde 1995. Prêmio por fidelidade. Podia ser pior, não é?
Adelino

quinta-feira, fevereiro 08, 2007  
Anonymous Adelino said...

ANNA, você foi muito feliz em suas palavras. Aliás´eu disse mais ou menos isso no "complete profile" (que chic, "complete profile"): gosto de todos os gêneros de música desde que não se constituam em poluição sonora.
E como tem. A meninada enfia um "egoísta" na orelha e manda ver. Os tímpanos ficam "bambos", "frouxos", e exigem cada vez mais barulho.
Porém, Anna, a rigor eles são refratários a músicas-músicas por desconheceram-nas. Se tivessem paciência para ouvir boas coisas certamente "se amarrariam", numa "boa"...

Anna, você já notou, claro que já, que hoje não se escrevem mais cartas "de próprio punho"? É uma pena porque a história da família se perde em meio a e-mails e msn.
Eu tenho uma carta de meu avô escrita para a minha avó, em 1910, agosto de 1910... Escrita a pena e tinta nanquim... Por ela eu refiz a trajetória de uma viagem que fez no Triângulo Mineiro, Norte de São Paulo.
Um abraço e obrigado.
Adelino

PS - Anna, a minha filha me disse que eu escrevo mais nos comentários do que no corpo do blog. Deve ser o costume. Minhas desculpas.

quinta-feira, fevereiro 08, 2007  
Blogger Gepetto said...

Adelino, você anda muito pessimista! As coisas vão melhorar!

sexta-feira, fevereiro 09, 2007  
Anonymous Adelino said...

Olá, GEPETTO, gostei muitíssimo do seu blog BALEIAFRANCA. Vou linká-lo breve. Imagens, em movimento ou estáticas, é comigo mesmo. Eu não vi o local de colocar comentários, ou estou enganado? Sou um pouco neófito na matéria...
Até que não, Gepetto, eu deveria estar mais pessimista, mas se estou, sinceramente não é minha intenção demonstrar isso.
Mas valeu pelo ânimo.
Apareça sempre por aqui. E me diga como se põe "comments" no BALEIA...
Um abraço e muito obrigado mesmo.

sexta-feira, fevereiro 09, 2007  
Anonymous fernando cals said...

Oi, Adelino,
Figuraça o Enfezulino!
Nesses tempos, ouvia muito a Rádio Nacional. Era o "must" da época.
Bacana você ter recebido um prêmio por uma letra que fez.
Já naquele tempo...
abração
fernando cals

sexta-feira, fevereiro 09, 2007  
Blogger valter ferraz said...

Adelino você é um NET? então Skavuska, para você!

sexta-feira, fevereiro 09, 2007  
Anonymous Adelino said...

FERNANDO, acho que todo mundo ouvia a Rádio Nacional. E os "seriados" do Tarzan, O Vingador, O Sombra e tantos outros? E na Tupi as famílias rezavam com Júlio Louzada a Ave Maria. Ou seguia o Mil e Uma Noites, com a bonita Haydée Miranda, no papel de Scherazade, e Antônio Leite no do Sultão Harhum Al-Rashid... Ainda na Nacional o PRK-30, o Repórter Esso... Jorge Cury e Antônio Cordeiro narrando juntos (cada um uma metade do campo), no Mundo da Bola... E tinha a Rádio Tamoio.
Um grande abraço, e obrigado.
Adelino

domingo, fevereiro 11, 2007  
Anonymous Adelino said...

VALTER, sou um Net... Troquei o sistema - por sugestão deles por 10 reais a mais - de 2Mb para um de 4Mb, Virtua, e a velocidade caiu para cerca de 8 vezes menos... Uma "carroça"... Não me avisaram que o Modem deveria ter sido trocado também. Só soube disso porque desconfiei. Isto depois de passados uns 10 dias de "luta", pensando mil coisas: virus, conexões estragadas etc. etc. Quase joguei fora o meu PC... Aí pedi para voltar para os 2Mb anteriores que, pelo menos, funcionava muito bem. Voltaram. Tudo muito bom, rápido. Passados uns 15 minutos, chegou o técnico com o aparelho de 4 Mb. Instalou. E o atendente me informou que eu pagaria mais 20 ao invés de 10, porque quando aceitei a primeira conversão, eu estava numa promoção... Como eu saíra do 4Mb e voltara 20 minutos depois, eu estava fora da promoção... E olha que sou considerado pela Net como "especial" pela fidelidade desde desde 1995... Sou um Net sim, Valter. Tá de gozação, não é?
Mas a Net não tem culpa, foi mesmo falta de informação. Acho.
Um abraço

domingo, fevereiro 11, 2007  

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