13 janeiro 2007

MEIO AMBIENTE

(Foto de APS, setembro/2006)

Por ocasião da Eco-92 (Conferência Mundial para o Meio Ambiente) realizada no Rio de Janeiro, ganhamos no stand da Austrália um envelope contendo sementes bem menores do que grãos de alpiste. Não olhamos de que eram. Ficaram guardadas durante algum tempo, até que, para dar-lhes um destino, resolvemos semeá-las numa caixinha vazia de margarina, cobrindo-as com uma ligeira camada de terra comum. Sem nenhum cuidado especial, por vezes apenas um pouco de água, ficaram ali por uns três meses.

Certo dia, observamos que daquele vasinho improvisado surgiam “troncos” com espessura de uma linha, uns vinte milímetros de altura, curiosamente encimados por duas folhinhas verdes ásperas, reluzentes. Nasceram muitos, lembrava uma floresta em miniatura. Como plantávamos sementes de quase tudo o que encontrávamos, não nos foi possível identificar que plantas seriam aquelas.

Arranquei uma de suas folhas e, apesar de um pouco de pena, esmaguei-a entre os dedos para melhor sentir o seu aroma. Não restava nenhuma dúvida, mesmo assim, para termos certeza, procuramos pelo invólucro original já que nele devia constar o nome científico, o modo de cultivo, prazo de validade das sementes, país de origem etc. Não o encontramos mais...

Bem, para encurtar a história, deixamos que todas crescessem mais ou menos até dez centímetros de altura. Dentre todas aquelas “arvorezinhas” escolhemos uma, não me recordo se a maior ou a mais bonita, mas foi aquela que plantamos diretamente na terra, ao ar livre.

Passados quatorze anos, o resultado foi um belíssimo pé de eucalipto, hoje com uns trinta metros de altura, cujas folhas balançam brilhando alegremente ao sabor do vento, da chuva e dos raios do sol.

É muita pretensão, mas costumávamos dizer com orgulho que “pelo menos uma coisa boa a Eco-92 tinha deixado para o Rio de Janeiro”: aquela majestosa árvore vinda diretamente da Austrália para enfeitar e espalhar o seu aroma por aquele nosso tão querido espaço verde...

Adelino P. Silva



16 Comments:

Anonymous Helô said...

:)

sábado, janeiro 13, 2007  
Anonymous Eduardo said...

Não é MUITO pouca coisa para uma Eco92 ???? O Rio merecia mais!

sábado, janeiro 13, 2007  
Blogger valter ferraz said...

Adelino, então tua missão tá completa, véio. Já tens filhos, escreveu um livro(que sei) e com o eucalipto já pode dizer Confieso qui ay Vivido.
Grande abraço do foragido

domingo, janeiro 14, 2007  
Blogger O Meu Jeito de Ser said...

Adelino, é mais uma vez a resposta da natureza.
Quando fazemos nossa parte, ela responde com amor, e sempre nos presenteia.
Um abraço e bom domingo.

domingo, janeiro 14, 2007  
Anonymous Ery Roberto said...

Já que o signo aqui é + ou - nostalgia, digo que este seu post me fez lembrar da infância. Vivi numa casa cujo terreno tinha eucalíptos na frente e na lateral. Respeitávamos aquelas árvores tanto pelo seu perfume como também porque nos ofereciam refrescantes sombras durante as brincadeiras de pescar com suas folhas caídas, como se fossem peixes. A grama era o mar... No dia em que derrubaram as frontais para que a rua fosse calçada, ainda não tínhamos o sentimento ecológico preciso para perceber o violento crime que se cometia em nome do "progresso". Pura teoria transformista, pois a realidade de hoje é uma viela abandonada, com asfalto esburacado e nenhuma árvore. No lugar dos frondosos eucalíptos um "carreirão" de lixo, restos do consumismo industrial do nosso tempo "progressista". Tomando a liberdade de responder ao seu leitor Eduardo, diria que é pouco para uma ECO92, sim! Mas se mais alguns cidadãos tivessem atitude semelhante o mundo seria diferente. Nem o Rio, nem qualquer outro lugar deste país merecem os comportamentos desumanos que todos nós, de uma ou outra forma, temos praticado, seja destruíndo diretamene ou votando errado. Abraços.

domingo, janeiro 14, 2007  
Anonymous Adelino said...

HELÔ, gostei do seu "comentário"... Uma imagem vale por mil palavras.
Obrigado pelo apoio.
Beijos

domingo, janeiro 14, 2007  
Anonymous Adelino said...

EDUARDO, entendi o que quis dizer.
Você deve ter notado que no texto usei tanto a primeira pessoa do singular quanto a do plural, pois o plantio dele foi um trabalho que fiz em companhia de minha saudosa esposa. Concordo plenamente com você quanto a ter sido muito pouca coisa, não somente para Rio, mas para o resto do mundo. Não avançamos em nada, isto é verdade.
Para mim, entretanto, pelos motivos que já disse, foi uma coisa muito significativa, por isso a importância que dei ao simples fato de plantar um pé de eucalipto e vê-lo tremulando forte, garboso e triunfante, como se fora um prêmio deixado pela ECO-92.
Muito obrigado. Pretendo vê-lo sempre por aqui.

segunda-feira, janeiro 15, 2007  
Anonymous Adelino said...

Então, VALTER, dizem que na vida o homem deve ter um filho (no mínimo...), escrever um livro e plantar um árvore.
Vejamos:
1 - Filhos três, dois "meninos" e uma "menina", dos quais, aliás, muito me orgulho;
2 - Livro: como eu já te contei escrevi sim, mas foi quase artesanal, para "distribuição interna familiar". Fez sucesso. Só não foi best-seller porque foi "de grátis", "free", claro...
3 - Árvore: você não sabe de nada. O que já plantei de árvores não está no mapa. E só derrubei uma por necessidade, e assim mesmo com licença do IBAMA... O nosso eucalipto foi apenas uma das muitas, um souvenir da ECO-92.
Um grande abraço.

segunda-feira, janeiro 15, 2007  
Anonymous Adelino said...

ANNA, fiquei muito alegre quando vi o seu entusiasmo com os vegetais que plantou. Você diz uma coisa muito verdadeira: quando fazemos a nossa parte a Natureza nos responde e nos presenteia com muito amor. É a pura verdade.
Já que o domingo passou, uma feliz semana para vocês.
Aguardo a sua presença sempre.
Um abraço do
Adelino

segunda-feira, janeiro 15, 2007  
Anonymous Adelino said...

ERY ROBERTO, o seu depoimento sobre os eucaliptos da sua infância foi emocionante. Vejo muita gente dizendo que não se deve falar do passado, remerorar fatos, que isto é saudosimo e outras coisas. E daí? Saudosismo é uma coisa, saudade é outra. E relembrar o passado não precisa ser necessariamente uma coisa triste. Se pensarmos bem, todos vivemos no passado. O que nós acabamos de escrever nestes comentários já é passado. O que não se deve, e isto foi muito bem tratado por aqui, é ater-se ao passado, fazer comparações radicais, desvalorizar o presente.
Este bloguezinho está aberto a reminiscências sempre. Que sejam benvindas.
Quanto à ECO-92, com todo o respeito, eu estive lá, tudo muito bonito, passou o tempo, acabou, mas e os procolos assinados foram ou estão cumpridos?
Um grande abraço. Compareça sempre.

segunda-feira, janeiro 15, 2007  
Blogger Kenys said...

Oi miguxo, gostei do post. Sinto não comentar, pois já conheci a história e se não me engano já tinha comentado sobre o assunto.

Abs

segunda-feira, janeiro 15, 2007  
Anonymous Adelino said...

É o caso, KENYS, como eu não tinha blog para escrever as minhas baboseiras, eu ocupava caixas postais e de comentários dos amigos para isso. Tem algumas coisas que, para os mais chegados, não se consituem, assim, em novidade alguma.
Peguei alguns assuntos não inéditos, "enxuguei-os" e POSTEI...
Muito obrigado pela sua presença.
Abs

segunda-feira, janeiro 15, 2007  
Blogger valter ferraz said...

E aí, Adelino vai ficar só nisso?
Como vê, chegou a minha vez de cobrar, vamo homi, postagens novas todos os dias, por favor. De preguiçoso chega eu.
Bração procê

terça-feira, janeiro 16, 2007  
Anonymous Adelino said...

Olá, Valter, todos os dias não dá, rapaz. De qualquer forma gostei muito do seu incentivo.
Cheguei a postar alguma coisa, mas resolvi que não estava bom...
Talvez amanhã...
Um grande abraço

terça-feira, janeiro 16, 2007  
Blogger Denise Sollami said...

Eucalipto é uma maravilha, cresce super rápido! Ipê de Jardim tb, vc conhece?

quinta-feira, janeiro 18, 2007  
Anonymous Adelino said...

Denise, amendoeira, casuarina, e flamboyant, estas menos nobres que os ipês, são árvores que crescem rápidamente também, por isso não é recomendável plantá-las muito próximas da casa, e nem de poços artesianos ou encanamentos, não é?
Temos um ipê que deve ter uns cinco ou seis metros de altura, floresce um vez por ano. Eu não sei se é ipê de jardim, talvez seja, porque não cresceu muito, mas também pode ter sido por causa do tipo de solo não favorável a ele.
Estou gostando de ver que ainda tem pessoas que cultuam/cultivam as árvores, Denise. Venha sempre.
Obrigado.
Um abraço.

quinta-feira, janeiro 18, 2007  

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