27 junho 2008

1958 - A TAÇA DO MUNDO É NOSSA ( 3 )

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...E veio a grande final contra os donos da casa, os suecos. Nova modificação no “onze” brasileiro: por questões táticas, acredito, De Sordi, que jogara todas as partidas anteriores dera o seu lugar a Djalma Santos, na posição de “beque-direito”. Eu tinha certeza quase absoluta da nossa vitória. Certeza baseada em fatos concretos: no início da década de 50 o campeão sueco, Malmöe (base da seleção sueca), em excursão pelo Brasil jogara umas cinco partidas amistosas contra equipes nossas, não conseguindo sequer um empate, mas tão somente quatro ou cinco derrotas por goleada. Ficou-me a impressão de um futebol muito fraco, fraquíssimo. O Brasil não podia perder deles, eu achava.
Lembro-me muito bem daquela fria manhã de domingo, 29 de junho, mais fria ainda pela nervosa expectativa. As donas-de-casa apressadas indo às feiras livres que encerravam mais cedo suas atividades; missas e sermões mais curtos do que o habitual... As ruas começaram a ficar vazias, desertas. Só se respirava Taça do Mundo.

Eu comprara na “Ducal” um rádio portátil Telespark transistorizado e nele acompanhara todos os jogos do Brasil. Neste dia eu estava na casa de minha irmã e de meu cunhado, por sinal, um ardoroso torcedor do Botafogo. Buscando maior tranqüilidade, fui ouvir o jogo sozinho numa pequena varanda que ficava no pavimento superior. E ali fiquei acomodado ouvindo as “eletrizantes” narrações dos “speakers” esportivos Pedro Luiz (Rádio Pan-Americana de São Paulo) e Geraldo José de Almeida, da Record, um pouquinho de cada um (para “dar sorte”)... A Suécia fez 1 a 0. Assustou muito. O Brasil empatou e desempatou: 2 a 1, depois 3 a 1, 4 a 1, mas a Suécia fez o segundo. O 4 a 2 assustou um pouco, afinal, faltavam uns 10 minutos ainda, e o futebol já era “uma caixinha de surpresas” e tudo podia acontecer. Milhões de torcedores brasileiros mentalmente adiantavam os ponteiros dos relógios... E quando Pelé marcou o quinto gol a explosão de alegria foi geral. Neste momento as rádios executaram pela primeira vez uma bela marchinha previamente preparada para aquela conquista: "A Taça do Mundo é nossa / com os brasileiros não há quem possa / Eeta esquadrão de ouro etc. etc. .." (Amanhã acaba esta novela, finalmente...).----
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Imagem: Google
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14 Comments:

Blogger Maria Augusta said...

Nossa, o ambiente de Copa do Mundo no Brasil era incrível, eletrizante. Lembro-me de que as cidades ficavam completamente paradas, das pessoas que corriam para a frente de uma televisão antes de cada jogo. As superstições que cada um tinha para que o Brasil ganhasse...e tive a felicidade de ver muitas vitórias inesquecíveis.
Muito legal contar esta, que foi a primeira dos brasileiros.
Abraços e bom fim de semana.

sexta-feira, junho 27, 2008  
Anonymous DO said...

Demorou 8 anos,mas acabamos conquistando o mundo.
O que mais me impressiona é a mobilização que ja existia naquela epoca,eletrizando o país todo.
Muito legal.

abraços,Adelino!

sexta-feira, junho 27, 2008  
Blogger sonia a.m. said...

Adelino, me lembro que eu assistia a Copa pelo rádio com a minha família. Imagine! Era emocionante mesmo sem o visual. Há tempos não tenho mais nenhum interesse por futebol... mas gostei da sua série pois ela faz parte na nossa memória!
Beijos!

sexta-feira, junho 27, 2008  
Anonymous Márcia(clarinha) said...

Vale a pena ver de novo!
Que delicia de lembranças, nossa memória fica contente.

lindo dia
beijos

sexta-feira, junho 27, 2008  
Blogger Georgia said...

Adelino, já estive aqui antes, mas com a festa do Daniel nao tive tempo de comentar. Por isso, comento tudo agora, kakakakka, vai dar um post,rs.

1° post) Você lembrou bem quanto a camisa era a mesma, o patrocionador era o mesmo, a luta era a mesma por um só coracao, lembra?
Você tem toda a razao em afirma que tudo está mudado e a nostalgia, a magia, a maneira de divertimento junto, nao existe mais.
Eu nao era nascida na de 58 mas na de 70.

2°) É verdade, Adelino, se falava na Taca do Mundo. Tá muito bom o seu relato, viu. Muito interessante e olha que eu sou mulher e nao sou lá chegada num futebol,rs. Mas falar sobre a história dessa Taca de 58, é fascinante.

3°) Lojas Ducal, me lembro. Pôxa, você lembra mesmo cada detalhe daquela época. Eu imagino que a vitória do Brasil naquela época foi assunto por muitos meses no Brasil. Desde lá o Brasil ficou nao só conhecido, como temido no futebol. E hoje, ele vive da fama do passado.

Adelino volto depois para ler o fechamento dessa história tao fascinante.

Abracos e bom sábado

sábado, junho 28, 2008  
Blogger Georgia said...

Parabéns!!! Os posts estao ótimos!!!

sábado, junho 28, 2008  
Anonymous Adelino said...

Maria Augusta, eu julgava que esse aparente desinteresse nas nossas atuais seleções fosse apenas meu, mas não é. Cada gol do Brasil era uma explosão de alegria, de abraços, de comemorações. Hoje não se sente mais isso, pelos motivos que tentei expor na série sobre a Copa de 1958.
Abraços, ótima semana para você. E obrigado.

sábado, junho 28, 2008  
Anonymous Adelino said...

Ainda ontem à noite, Do, ouvi um interessante programa de entrevistas na Rádio MEC, na qual foi comentado que se o Brasil não tivesse vencido aquela Copa, é certo que outras tantas não teriam sido conquistadas com tanta regularidade.
Bom final de semana, Do, e muito obrigado.

sábado, junho 28, 2008  
Anonymous Adelino said...

SONIA, parece que era mais emocionante mesmo ouvir pelo rádio. Cada lance ficava ao sabor de nossa imaginação. Na Copa de 1954, conquistada pela Alemanha Ocidental, eliminados os brasileiros, eu torcia para a seleção húngara.
Até que de repente, acabou a "luz da Light" (coisa comum de acontecer)... Que drama... A sorte é que perto de casa estava sendo feita uma obra. E o motorista de um caminhão estava atentamente ouvindo o jogo pelo rádio do carro... Uma multidão se aglomerou em torno do seu "veículo".
Um abraço, Sonia. Feliz semana.

sábado, junho 28, 2008  
Anonymous Adelino said...

Márcia, é interessante rememorarmos fatos dos quais participamos mesmo que indiretamente. Foi o caso da Copa de 1958, que abriu caminho para as outras quatro.
Beijos. Ótimo final de semana.

sábado, junho 28, 2008  
Anonymous Adelino said...

GEORGIA, seu comentário foi ótimo. Enriqueceu a série com detalhes pessoais interessantes relacionados ao tema Taça do Mundo de 1958.

1 - O elegante jogador Bellini, Gilmar e outros faziam propagandas de roupas da Ducal... Vi uma entrevista com Orlando na qual ele conta que a Ducal premiou cada jogador campeão com um terno a cada mês, durante um ano... E hoje...???

2 - Uma historinha pessoal sobre Copas, Georgia, a de 1970: eu e minha saudosa esposa desembarcamos no Aeroporto Santo Dumont, Rio, depois de uma longa viagem. Fomos diretos para a casa da avó dela. No trajeto, ninguém nas ruas. Parecia aqueles filmes de Orson Welles, Hitchcock, Spielberg, ou de faroeste quando a cidade fica deserta antes do "duelo" do mocinho... Rigorosamente ninguém.
Entramos na casa e nem fomos notados, e olha que estávamos ausentes por quase dois anos e éramos muito queridos pela família. Todo mundo de olho na TV. O máximo que disseram foi:
- Depois a gente fala...
Fomos literal e gentilmente ignorados... Motivo: naquele momento, dia 14/06/1970, jogavam Brasil x Peru, e o jogo não estava nada fácil para a Seleção Canarinho... Compreendemos, claro. O motivo estava amplamente justificado.
Um abraço, Georgia. Ótima semana. Obrigado

sábado, junho 28, 2008  
Anonymous Adelino said...

GEORGIA, complementando: segundo os analistas político-econômicos, a conquista da Taça do Mundo de 1958 teve grande importância. Fez com que nosso país ficasse mais conhecido até mesmo geograficamente falando. Era uma época em que pensavam ser Buenos Aires a nossa capital, que cobras, lagartos e jacarés (refiro-me aos animais) desfilavam na pérgula do Copacabana Palace, e até mesmo banhavam-se nas águas da praia de Ipanema... Perguntavam em que time jogava o Juscelino... rs
Abraços

sábado, junho 28, 2008  
Blogger maristela said...

Eu lembro de Bellini, bonito, elegante, nas fotos da Revista Cruzeiro que meu pai ganhava dos "fregueses" que levavam calçados na sapataria. Bons tempos de real amor à camiseta.

quarta-feira, julho 02, 2008  
Anonymous Adelino said...

Maristela, embora atrasado eu não poderia deixar de acrescentar que a revista O CRUZEIRO dedicou seguida e individualmente suas capas aos "heróis" da Suécia.
Abraços.

quinta-feira, agosto 07, 2008  

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