07 junho 2007

O VELHO MSX - EXPERT - Capítulo 2


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Teve até lances de muita emoção. Certa vez transcrevi para as pautas do editor musical Edimusic uma antiga partitura de música que meu pai escrevera em agosto de 1929. Escolhi o instrumento, tonalidade, ritmo, “mandei tocar”, e lá estava um trecho de uma linda melodia em solo de flauta. Meu sentimento deve ter sido semelhante ao de um arqueólogo que acabava de encontrar uma peça histórica de três mil anos. Liguei eufórico para algumas pessoas da família contando a “proeza”. Surpreendi-me, entretanto, com a falta de entusiasmo de algumas delas. Acho que não entenderam, não acreditaram ou simplesmente não queriam ouvir, talvez por motivos sentimentais. Mas eu as compreendi: como membro mais novo da família (nós perdêramos nosso pai quando eu tinha poucos dias de idade), não o conheci, pelo menos não o suficiente para ter muitas saudades dele, ao contrário dos demais irmãos e de nossa mãe.

Como disse, cheguei a fazer ótimos desenhos e até plantas de terreno e de casas com o meu PC. Com o avanço tecnológico o MSX Expert Gradiente foi ficando ultrapassado, e acabou posto de lado, sem uso. Ouvi reclamações ou sugestões como “joga isso fora”, “está ocupando lugar”, “isto é peça de museu” e outras “blasfêmias” e “calúnias”. Até o filho pequeno de um amigo nosso, certo dia, vendo o aparelho, perguntou ao pai "o que era aquilo”.
- “Talvez um videocassete dos antigos” – respondeu o próprio guri sem esperar pela resposta do seu genitor. Quanta heresia...

Resistindo bravamente aos conselhos, reclamações e insinuações, guardei-o numa caixa de papelão juntamente com o drive, o conversor, um monitor monocromático verde, a interface, o teclado, uma impressora matricial Grafix-MTA Tractor, cabos e conexões. E mais uns 70 disquetes 5 ¼”, alguns coloridos – bonitos, mas ordinários. Perdi muita coisa por causa deles..

Para encurtar esta história: quase no final de 2000, ou seja, 14 anos depois de adquirido, resolvi levar o desprezado “trambolho” para a outra casa da família numa vizinha cidade do Rio de Janeiro, entre montanhas e praias. E lá ficou ele por uns dois ou três anos sofrendo toda sorte de agressões da natureza: umidade, calor, frio, brisa salinizada, além dos ataques de insetos e animais rasteiros comuns nesses lugares afastados da cidade.
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(CONTINUA NO PRÓXIMO POST...)
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3 Comments:

Blogger valter ferraz said...

Adelino, que é isso de zero comentário? Pode não. Estou aqui para quebrar esse tabu.
Então até troquei o nome do bicho aí: é MSX, né?
Olha o meu PC XT nem tinha marca era montado mmesmo e tb não foi o primeiro. O primeiro tinha sido um CP-500 da Prológica. Tempo do onça. E ainda usava aquelas fitas de perfurar igual às máquinas do telex.
Lembra do telex? Pois então, eu era uma das poucas pessoas da empresa onde trabalhava que sabia operar aquela geringonça lá. Ficava depois do expediente enviando as intermináveis confirmações de pedido, isso depois de ter trabalhado o dia todo na rua, cheio de graxa e óleo dos velhos selfs de ar condiuconado.
Bom vou deixar umm pouco para os outros.
Abraço

segunda-feira, junho 11, 2007  
Anonymous Adelino said...

O bom disso tudo, Valter, é que nós tivemos o privilégio de conhecer essas "geringonças" todas, e hoje nos maravilhamos com a moderna tecnologia. Eu me lembro sim do telex. Era "chic" passar um telex...

No meu primeiro emprego eu era encarregado de redigir a maioria das correspondências e ainda datilografá-las... Tinha um diretor que escrevia os telegramas manualmente e em italiano, e numa letra meio de garrancho. Claro que antes de começar a datilografar, eu ia até ele e desfazia as minhas dúvidas que eram muitas...

Lembra dos telegrams da Western Union ou da ITT? Caros pra burro.
Bons tempos.
Abraços

segunda-feira, junho 11, 2007  
Blogger valter ferraz said...

Adelino, verdade. A gente ía para o centro da cidade e perdia um dia inteiro nas filas da Cia de Correios e Telégrafos. Telefone tinha que pedir prá telefonista e ficar aguardandfo duas, três horas para a ligação ser completada. E isso ligação nacional, às vezes dentro da própria cidade!

terça-feira, junho 12, 2007  

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