LIVRE - Tertúlia Virtual (15/07/2009)

Recorro novamente às memórias do meu tempo de criança para não faltar à reunião do Tertúlia, uma brilhante idealização dos amigos Jorge Pinheiro e Eduardo Lunardelli. Não sei se "o tema é livre" ou simplesmente "LIVRE". Os dois pontos sugerem que seja mesmo "LIVRE".
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Morávamos numa pequena cidade do interior. Hoje é uma "metrópole"... Criança ainda, ansioso por chegar em casa depois das aulas, eu cortava caminho entrando diretamente no seu imenso quintal, entre mangueiras, goiabeiras, laranjeiras, jabuticabeiras... Paralelo ao fundo dos terrenos separando as duas ruas principais tinha um riacho de águas límpidas que chamávamos “córrego”. Canalizado pelo “progresso” passou a se chamar “avenida”.
Foi ali que certo dia eu encontrei caído junto a um arbusto um bonito sabiá-laranjeira. Aproximei-me devagar. Ainda respirava, seu coraçãozinho batia célere. Ferido gravemente numa das asas, ele não se incomodou quando o envolvi cuidadosamente no guardanapo onde embrulhava o lanche da escola...
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Morávamos numa pequena cidade do interior. Hoje é uma "metrópole"... Criança ainda, ansioso por chegar em casa depois das aulas, eu cortava caminho entrando diretamente no seu imenso quintal, entre mangueiras, goiabeiras, laranjeiras, jabuticabeiras... Paralelo ao fundo dos terrenos separando as duas ruas principais tinha um riacho de águas límpidas que chamávamos “córrego”. Canalizado pelo “progresso” passou a se chamar “avenida”.
Foi ali que certo dia eu encontrei caído junto a um arbusto um bonito sabiá-laranjeira. Aproximei-me devagar. Ainda respirava, seu coraçãozinho batia célere. Ferido gravemente numa das asas, ele não se incomodou quando o envolvi cuidadosamente no guardanapo onde embrulhava o lanche da escola...
Cuidei dele aplicando-lhe água oxigenada, esparadrapo, tudo o que pude e o que sabia fazer. Dei-lhe água, pedacinhos de arroz cozido, alface, alpiste e até um grão de feijão amassado... Aos poucos ele foi se recuperando.
Todo dia, eu vinha rápido da escola, brincava com ele, tentava ensiná-lo a cantar, coisa que não sabia fazer ou tinha desaprendido.
Tornara-se meu amigo, era isso o que passava pelo meu espírito de menino de sete, oito anos. Despreocupado quanto a sua possível fuga, improvisei-lhe um bom abrigo numa parede de tijolos vermelhos do quintal próximo à cozinha da casa.
Entretanto, uns dez dias depois veio a grande decepção: quando me aproximei dele, o “meu amigo” voou célere, elegante, "cheio de saúde" para o muro mais próximo. Cantou timidamente, quem sabe traduzindo em sua linguagem um "adeus, muito obrigado". E alçou vôo para o alto das árvores vizinhas.
Fiquei muito triste por uns dias. Achei aquilo uma grande ingratidão. Com o passar do tempo compreendi que, na verdade, ele não queria nada daquilo que eu lhe proporcionava. Desejava mesmo era viver entre os seus semelhantes. Enfim, ser um ser LIVRE.
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Todo dia, eu vinha rápido da escola, brincava com ele, tentava ensiná-lo a cantar, coisa que não sabia fazer ou tinha desaprendido.
Tornara-se meu amigo, era isso o que passava pelo meu espírito de menino de sete, oito anos. Despreocupado quanto a sua possível fuga, improvisei-lhe um bom abrigo numa parede de tijolos vermelhos do quintal próximo à cozinha da casa.
Entretanto, uns dez dias depois veio a grande decepção: quando me aproximei dele, o “meu amigo” voou célere, elegante, "cheio de saúde" para o muro mais próximo. Cantou timidamente, quem sabe traduzindo em sua linguagem um "adeus, muito obrigado". E alçou vôo para o alto das árvores vizinhas.
Fiquei muito triste por uns dias. Achei aquilo uma grande ingratidão. Com o passar do tempo compreendi que, na verdade, ele não queria nada daquilo que eu lhe proporcionava. Desejava mesmo era viver entre os seus semelhantes. Enfim, ser um ser LIVRE.
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27 Comments:
É uma pena, mas esta é a última edição do TERTÚLIA VIRTUAL, segundo informam seus criadores Eduardo e Jorge. O Tertúlia encerra suas portas justamente na edição em que pretendiam - e certamente conseguiriam - superar o recorde de inscrições de 140 participantes.
Um abraço a todos.
A liberdade é o maior dos presentes,ADELINO. Um dia muitos de nós aprende isto.
Abração!!
Adelino, cada um tem seu espaço e o dos pássaros é voando nos céus...não podemos contrariar a natureza. Mas teu lindo gesto foi recompensado ao ouvi-lo cantar, tenho certeza.
Parabéns pelo post.
Um grande abraço.
A liberdade é uma coisa estranha... e frágil.
Deseja-se, acima de todas as coisas... não importa o sofrimento, a privação, o desconforto...
Se as aves sentem isso, o que não sentiremos nós, humanos?
Um abraço.
Oi,Adelino
Que lindo!!Somos que nem o sabiá,não é??Nada vale nossa liberdade.
Sabe,eu cheguei a fazer um post com o tema:LIVRE....mas,depois relendo o site ,percebi que quem era livre era o Tema..rsrrs
Mas,no seu caso bendito tenha sido o equivoco:foi um dos mais belos posts que encontrei por aí.
Obrigada pela visita e volte sempre,mesmo sem tertúlias...
bjus
Olá td bem?
Cheguei aqui através da Tertúlia Virtual,o qual tb estou participando,adorei teu post,adoro essas iniciativas por nos dar a oportunidade ,de conhecer outros amigos e seus trabalhos maravilhosos,sua visita será um prazer.Boas energias neste espaço tão acolhedor
Bj
Mari
...eu sou como a borboleta....tudo que eu quero é liberdade...
Pena que a Tertúlia chegou ao fim, mas poderemos nos encontrar por aqui...
Obrigada pela visita.
Bjs
Vim agradecer a visita e conhecer o espaço. A Tertúlia chega ao fim, mas podemos todos manter o intercâmbio.
Ah, ah, grande Adelino e suas acreditáveis histórias! Ótima essa também !
abraço
Adelino.
Feliz quem teve uma infância como a sua.
Viver como aprendiz, cuidando de algo indefeso.
Como foi bonito tratar deste passarinho.
Tinhas uma fartura de sonhos a vencer.
Na experiência de saber: que não somos donos de ninguém,ficou a sensação boa por ele ter sobrevivido.
Assim como toda criança, você aprontou muito e foi feliz!
Quantas saudades!
Lindo!
Linda sua história, apesar de na altura ter ficado desiludido, contribuiu para que a avezinha voltasse ao seu habitat!
Abraço
Ola querido amigo.
Passei pra agradecer a visita, deixar um beijo, desejar felicidades aos recem-casados e ... viva a liberdade!!!
Bjs
Oi, Adelino!
A vida, realmente, é uma boa professora: sempre ensina! Cabe a nós a sensibilidade de aprender o significado das suas lições!
Lindo teu relato de vida!
Vim retribuir tua visita e agradecer o carinho que deixastes lá no meu cantinho.
Voltarei mais vezes, afinal as Tertúlias acabam, mas os amigos ficam!
Bjão.
Do, grato pelo seu prestígio. Como viu, até os pássaros feridos preferem a liberdade.
Um grande abraço.
Pois, então, Maria Augusta, eu, na minha inocência de criança achava que pelo fato de ter alimentos à sua disposição isto bastaria para que o sabiá-laranjeira preferisse ficar entre os humanos.
Um abração.
“Entremares”, concordo, mas nem sempre é assim. Depende do grau de necessidade do indivíduo humano, não acha? Claro que o ideal seria ter tudo aquilo e mais a liberdade.
Um abraço. Grato pelo prestígio.
Fabiana, é fruto da sua bondade os elogios ao meu post. Foi na verdade uma agradável confusão. Tema livre ou livre era o tema? O Tertúlia mexeu com a nossa criatividade por doze meses bastante festivos. Pena que tenha terminado.
Beijos.
Mari, o Tertúlia, infelizmente por todos os motivos que você enumerou, cerrou as portas. Mas pelo que sabemos do Eduardo e Jorge, novas “promoções” virão por aí… Entretanto, independente do Tertúlia, espero contar com a sua presença por aqui quando quiser.
Também gostei do seu blog e lá estarei.
Um beijo.
Bandeiras, eu também lamento o final do Tertúlia. Era um gande incentivo à nossa criatividade. Grato pela sua visita.
Beijos.
Ana Paula, é o que esperamos: manter o intercâmbio ainda que não pelo Tertúlia, que foi um veículo extraordinário para que exercitássemos a nossa criatividade pelo inusitado dos temas propostos.
Beijos. Obrigado pela sua visita.
Peri, ainda bem que acreditáveis, pode crer…
Abraços.
Maria das Graças, lamentamos que as crianças atualmente não tenham as oportunidades de viver e aprender praticando, o que tivemos em nosso tempo (no meu tempo…) Saudades sim, mas nada de tristezas ou melancolia.
Beijos.
Marie, até hoje sou totalmente contrário à prisão de animais, principalmente pássaros indefesos como o sabiá-laranjeira da nossa história real. Aquela "prisão" foi "temporária", mas na verdade eu pensava que ele jamais fosse fugir. Coisas de menino pequeno.
Abraços.
Bete, meu filho agradece os seus votos de felicidades.
Viva a liberdade sim. Até para os pássaros ou principalmente para eles.
Beijos
É isso, Wania, desde pequeninos a vida nos ensina muitas coisas. A diferença entre as pessoas está em que algumas guardam as lições recebidas e aprendem com elas. Outras, não.
Compareça sempre. Visitarei seu blog com mais assiduidade.
Beijos
Adelino,
poucos respondem como você comentario por comentario.Parabéns! às vezes os textos das postagens não são conclusivos, e os comentários finalizam as idéias.
Quanto ao fim da TV, acreditamos que a BlogGincana será mais interessante e mais criativo. Em Setembro veremos!
Muito obrigado por mais esta postagem!
Eduardo, eu compreendo os amigos que não respondem aos comentários, mas sinceramente eu não consigo fazer o mesmo, motivo de às vezes eu preferir nem postar. É coisa minha. Outra coisa que não consigo é produzir post sem imagem e nem longos demais. Claro que pretendo participar do BlogGincana; sugiro, entretanto, que a sua produção faça um “piloto” da nova “promoção”…
Um grande abraço. E muito obrigado pelo seu constante incentivo.
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