08 maio 2007

A CASUARINA

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Sempre admirei aquela árvore esguia, majestosa, que margeia estradas, cresce fácil em qualquer terreno, e é excelente abrigo para ninhos de pássaros. Que em presença do vento produz sons semelhantes a assobios que trazem paz e tranqüilidade, e as suas folhas de formato exótico encharcam-se de águas das chuvas fortes, mas não se quebram ou caem, pois curvam-se sabiamente diante das forças da natureza. O seu nome? Eu não sabia.

Acho que já falei em posts anteriores do meu hábito de plantar sementes de vegetais, principalmente de árvores, só para “ver o resultado”... No estacionamento externo do Aeroporto Santos Dumont, existem várias daquelas árvores. Um dia colhi e plantei aquilo que eu pensava ser sua semente, ou seja, uma pequena bolinha seca, que espetava muito, cor de palha, de formato irregular, menor do que uma jabuticaba miudinha. Não nasceu nada. Fui verificar. Óbvio: aquela bolotinha nada mais era do que uma cápsula contendo centenas de minúsculas sementes que ao caírem no solo espalhavam-se pelo terreno, tornando-se praticamente invisíveis...

Até que um dia eu estava lendo um livro que não sei se era Vila dos Confins, Chapadão do Bugre (ambos de Mário Palmério) ou O Coronel e o Lobisomem (de José Cândido de Carvalho), e lá pelas tantas páginas da leitura, eu me deparei com o autor descrevendo uma árvore com todas aquelas características. Seu nome: casuarina. Então era ela...

Nada de sementes, comprei e plantei apenas uma muda da espessura de um palito de fósforo, dez centímetros de altura, mais ou menos. Não acreditava muito. Mas ela cresceu, e hoje está com 40 metros, curvando-se ao sopro do vento, assobiando como ela só, encharcando-se com água da chuva, e oferecendo abrigo aos pássaros que a procuram. Dizem que tira muita água do subsolo. Mas é o preço que cobra pela sua beleza. Ei-la na foto de minha autoria...
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Dos dicionários:
Casuarina: s.f., Bot., árvore cujas folhas se assemelham às penas do casuar.
Casuar: s.m., Ornit., grande ave pernalta semelhante ao avestruz.
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19 Comments:

Blogger Denise Sollami said...

Linda a sua "casuarina"!
Tem uma rua na lagoa com esse nome.

terça-feira, maio 08, 2007  
Blogger Sonia said...

Que beleza de árvore e de narrativa!

terça-feira, maio 08, 2007  
Blogger O Meu Jeito de Ser said...

Adelino, também não sabia o nome dela, mas realmente é soberana!
Aliás também tenho um grande fascínio por árvores ou qualquer planta.
Já teve oportunidade de observar a beleza do tronco de um ipê de idade avançada?
Parece uma escultura.
Na minha infância fazia muito isso no interior onde morava. Ficava observando, e vendo as diferenças de um para o outro. Tinha mesmo a impressão que mãos tinham trabalhado aquilo tudo.
Um abraço.

quarta-feira, maio 09, 2007  
Blogger Lord Broken Pottery said...

Adelino,
Não pude deixar de pensar. Você teve filhos (acho que sim), plantou uma árvore, escreve. É um homem que pode-se dizer realizado. Eu, que não tive filhos, e não plantei árvores, estou devendo.
Abração

quarta-feira, maio 09, 2007  
Anonymous Adelino said...

DENISE SOLLAMI, a casuarina pega bem em qualquer terreno. O problema são as raízes que vão buscar a água aonde ela estiver, e aí já viu o estrago que provocam. De repente ela entra em casa pedindo um copo de água, abrem a geladeira...
Obrigado
Abraço

quarta-feira, maio 09, 2007  
Anonymous Adelino said...

Sonia, os elogios são gentileza sua. Muito obrigado pelo incentivo. Até que a "minha casuarina" está um pouco mal-tratada por causa da estiagem dos últimos meses.
Abraços cordiais

quarta-feira, maio 09, 2007  
Anonymous Adelino said...

Anna, observando essas árvores maravilhosas que a natureza nos deu, sentimos o quanto somos ingratos a ela (falo de um modo geral). O desmatamento para a construção de condomínios nas encostas vai arrasando tudo. É uma pena.
Quanto ao ipê, Anna, nós plantamos um, mas desenvolveu pouco, embora ele compareça todo ano com suas flores um pouco acanhadas, mas, ou talvez por isso, bonitas. Vou passar a observar o que falou.
Você disse uma coisa importante. A maioria da criançada de hoje não está tendo a mesma oportunidade que tivemos de viver quase sempre junto à Natureza.
O que é uma pena.
Abraços

quarta-feira, maio 09, 2007  
Blogger valter ferraz said...

Adelino, acho que a Casuarina aqui em Mongaguá iria se dar bem,pois temos água a quarenta centímetros do solo.
É muito legal a gente acompanhar o crescimento das plantas.
Um abraço forte

quarta-feira, maio 09, 2007  
Anonymous Adelino said...

Lord, sim, tenho três filhos que para os pais, de um modo geral, são sempre meninos. Então eu tenho uma menina e dois meninos, dos quais muito me orgulho. Minha esposa, mãe deles, faleceu no ano passado deixando muitas saudades.
Árvores plantamos muitas. Pretendo plantar mais.
Quanto ao livro, fiz um para uso doméstico (artesanal) contando coisas vivenciadas/vividas na minha infância/adolescência, o que não deixou de ser um história de um período da minha família, de vizinhos, do mundo enfim. Foi "best seller" com seis exemplares... Isto vale? Se vale realmente eu poderia me considerar realizado. Ninguém deve se considerar realizado. Isto não existe.

Você ainda não teve filho, nem plantou uma árvore, mas livros já escreveu. E escrever um livro acho que é a mais difícil das três missões "exigidas".
Um grande abraço.

quarta-feira, maio 09, 2007  
Anonymous Adelino said...

Valter, experimente ir numa floricultura qualquer e compre mudinhas de casuarina. Plante-as e observe o seu crescimento. O interessante é que vc pode plantar várias delas quase juntas, e podá-las assim que atingirem uma altura razoável. Acabam virando uma cerca viva. Não há necessidade de deixá-las crescer tanto como aquela que mostro na foto. As pequenas, pela quantidade de folhas, são excelentes para acolher ninhos de passarinhos ao alcance de nossas mãos.
Grande abraço.

quarta-feira, maio 09, 2007  
Anonymous Strix said...

Em minha antiga casa, situada num terreno de l4 hectares plantei uma alameda com 40 casuarinas. A casa ficava na parte mais alta da propriedade. Em dias de vento,o som emitido pelas casuarinas me fez chamar "O Morro dos Ventos Uivantes"
Strix.

sexta-feira, maio 11, 2007  
Anonymous Adelino said...

Olá, Strix, visita. Desculpe-me pela demora em comentar. A casuarina cresce fácil e é uma árvore bonita. Serve, segundo os entendidos, para reforçar encostas e terrenos inclinados. Acho que sim.
Um abraço

quarta-feira, maio 16, 2007  
Anonymous Anônimo said...

Quem passar por Araruama/RJ, onde moro, não escapa de ver centenas de casuarinas, já que são referência na paisagem praiana do município. Em dias de ventania formam um belo espetáculo à vista e aos ouvidos. E, falando por experiência própria, prestam-se muito bem à elaboração de cercas vivas, como as que tenho aqui em casa. Plantam-se muitas mudas espaçadas entre 30 a 40 cm e não se lhes permitem passar de dois metros de altura mediante podas controladas. Desse modo fecham-se os espaços entre cada árvore, (agora transformadas em pequenos arbustos) que podem ser entremeados com arame farpado, ancorados em moirões que poderão ser eliminados logo que as casuarinas formarem troncos. Para manutenção do tamanho, podas bimestrais, e por vezes até trimestrais. Garanto que esta estrutura oferecida pela natureza resulta muito mais bela do que qualquer muro sofisticado feito pela mão humana.
Cleyton
Araruama RJ

segunda-feira, outubro 15, 2007  
Anonymous Adelino said...

Cleyton, embora atrasado, deixo os meus agradecimentos pelo seu brilhante comentário.
Grande abraço

sábado, abril 19, 2008  
Blogger claudinha said...

Oi Adelino, to super atrasada aqui mas me sinto a vontade pra postar um comentário sobre a casuarina.
Nem te conheço mas estava fazendo uma pesquisa sobre a casuarina e encontrei seu blog. A casuarina é uma árvore invasora, onde nasce morre tudo na sua sombra, não sobra nada. As sementes se espalham e ela cresce com uma velocidade feroz. Temos aqui no Rio a APA da lagoa de marapendi que está totalmente tomada por essa árvore, estou tentando buscar ajuda para arrancar todas daqui, senão em dez anos não teremos mais o manguezal, mas tudo vai virar areia com muitas casuarinas.

"Impactos ecológicos:

Forma sombreado denso e uma abundante camada de serapilheira com folhas e frutos que cobrem completamente o solo. O sombreamento e a serapilheira eliminam a vegetação adaptada das dunas e das praias. Através das raízes fixa nitrogênio por simbiose com actinomicetos, sendo capaz de colonizar solos de baixa fertilidade. Uma vez estabelecida, altera radicalmente as condições de luz, temperatura e química dos solos. Compete agressivamente com a vegetação nativa e altera o habitat de diversas espécies da fauna."
Não querendo ser intrometida mas tentando esclarecer.
Obrigada
Claudia

sexta-feira, maio 01, 2009  
Blogger HugoHwH said...

Opa, Adelino.
pode me dizer quanto tempo levou
desde que plantou a casuarina, até ficar com este tamanho da foto?

Plantei 5 em meu terreno hoje e vou buscar mais depois,que fui de moto.

Já tenho no mesmo terreno uma tamarineira que cobre um predio de 3 andares que fica ao lado...

obrigado,
e seja feliz,
Hugo.

quarta-feira, maio 12, 2010  
Anonymous Anônimo said...

Essa árvore também é chamado de Pinheiro Australiano e já é a árvore típica da região da Barra da Tijuca, inclusive muito comum na praia, principalmente na do Recreio.
É de fato muito bonita e espero que alguns assassinos de árvores não resolvam que tal ou qual árvore merece viver ou morrer por ser de origem longíngua, na mais pura forma de xenofobia existente, taxando-a de invasora, feroz e perigosa. Aqui na Barra estamos muito felizes com nossas casuarinas!

sexta-feira, fevereiro 25, 2011  
Anonymous Anônimo said...

Uh, there it is! uh, there it is!

segunda-feira, outubro 31, 2011  
Anonymous Ana Elisa Carvalho said...

Procurando informsçoes sobre casuarinas, encontrei seu blog. Mto interessante e com comentarios idem. Na frente de minha cada estavam plantadas 8 casuarinas, já bem antigas.Já estavam la qdo nos mudamos, já fazem 13 anos. Ano passado foram cortadas pela prefeitura por estarem doentes (brocas) . Uma pena pois sombreavam meu terreno. Mas ficaram dois pequenos exemplares que nasceram a partir de sementes das "mães" que se foram. Cuido dessas pequenas casuarinas com carinho pela lembrança daquelas outrora belas casuarinas... Quiz acrescentar meu depoimento ao seu e aos outros. Ah, nossa casa/sitio fica na serra fluminense, em Itaipava. Abraços!

segunda-feira, dezembro 21, 2015  

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